Em 2025, o marketing vive uma transformação profunda, impulsionada por novas tecnologias, mudanças no comportamento do consumidor e modelos de negócio disruptivos. O cenário está cada vez mais dinâmico e competitivo – exigindo das empresas não apenas inovação, mas também adaptação rápida a desafios . Nesse contexto, o Growth Marketing se consolida como uma abordagem estratégica fundamental para quem busca crescimento sustentável e acelerado.
O que é Growth Marketing e por que ele importa?
Growth Marketing (ou marketing de crescimento) é uma abordagem orientada por dados e centrada em crescimento de longo prazo. Diferentemente do marketing tradicional – muitas vezes focado apenas em campanhas isoladas e resultados de curto prazo – o Growth Marketing analisa dados profundamente e promove experimentação contínua para otimizar todas as etapas do funil, da aquisição à retenção de clientes . Em outras palavras, a mentalidade aqui é de melhoria contínua: testar, aprender e escalar o que funciona. O objetivo não é um “golpe de sorte” viral, mas sim crescer de forma consistente e previsível, alinhado aos objetivos reais do negócio. Afinal, crescer na direção errada pode ser pior do que não crescer.
Essa visão orientada a crescimento sustentável ganhou relevância porque resolve uma dor clássica das empresas: como expandir receitas de modo escalável e mensurável, sem depender de achismos. Ao trazer métodos científicos (análise de dados, hipóteses, testes A/B) para o marketing, o Growth Marketing profissionaliza o processo de crescimento. Fundadores, CMOs e executivos de marketing percebem que não se trata de mágica ou hype de startups, mas de aplicar rigor e criatividade para destravar novos patamares de resultado.
Indicadores-chave: foco em métricas de valor, não vaidade
Para que o Growth Marketing gere crescimento de verdade, é crucial olhar além das métricas de vaidade e focar em indicadores-chave ligados ao negócio. Em vez de perseguir apenas cliques ou impressões, os growth marketers avaliam métricas como:
- CAC (Custo de Aquisição de Cliente): quanto se gasta para conquistar um novo cliente. É um indicador básico de eficiência. Dica: calcule o CAC considerando todos os custos de marketing/vendas, não só mídia paga .
- LTV (Lifetime Value ou Valor Vitalício do Cliente): receita total que um cliente gera durante todo seu relacionamento com a empresa. Crescimento sustentável vem de aumentar o valor de cada cliente. Se o LTV for menor ou igual ao CAC, o crescimento se torna matematicamente insustentável – você paga mais para adquirir clientes do que recebe deles . Por isso, costuma-se buscar um LTV/CAC de 3:1 ou mais . Um LTV alto permite investir mais para ganhar clientes (e superar concorrentes), acelerando a expansão.
- Taxa de Retenção e Churn: porcentagem de clientes que continuam engajados/comprando ao longo do tempo. Reter clientes é tão ou mais importante que adquirir novos. Dependendo do setor, conquistar um novo cliente pode custar de 5 a 25 vezes mais do que manter um existente . Não por acaso, clientes atuais tendem a gastar 67% a mais em média do que novos clientes . Ou seja, melhorar a retenção tem impacto direto na lucratividade (um aumento de 5% na retenção pode elevar os lucros em 25%–95%, segundo estudos clássicos de Bain & Company ).
- Taxa de Conversão: percentagem de visitantes ou leads que efetuam a ação desejada (compra, cadastro etc.). Sozinha, pode enganar – é preciso analisá-la junto com o ticket médio e o LTV. Uma conversão alta de vendas de baixo valor pode não ser lucrativa. Qualidade importa mais que quantidade nesse caso.
- Engajamento: métricas de engajamento (CTR, tempo no site, recorrência de uso, abertura de e-mails, etc.) são indicadores antecipados de crescimento. Se os clientes interagem muito com sua marca/produto, há maior propensão de compra e recomendação. Por exemplo, um aumento de 20% no engajamento pode levar a 15–20% mais vendas cruzadas e compras recorrentes . Monitorar engajamento ajuda a identificar o que está ressoando com o público e ajustar rápido a estratégia.
Em resumo, Growth Marketing busca conectar marketing a resultados de negócio. Métricas como LTV, retenção e ROI de longo prazo importam mais do que apenas alcançar um ROAS alto em uma campanha específica. Crescimento saudável é aquele em que cada real investido traz retorno multiplicado ao longo do ciclo de vida do cliente, não apenas na primeira compra. Empresas com essa visão já acompanham indicadores como payback period (tempo para recuperar o CAC), cohort analysis e taxa de recomendação (NPS) para entender a qualidade do crescimento, e não apenas a velocidade.
Cultura de experimentação e gestão profissional do crescimento
Para implementar Growth Marketing de forma eficaz, não basta acompanhar métricas – é preciso criar uma cultura organizacional voltada à experimentação e aprendizado contínuo. Isso começa pela liderança: hoje vemos cada vez mais empresas nomeando executivos dedicados ao crescimento (o surgimento do cargo Chief Growth Officer (CGO) nas organizações é prova disso). Esses profissionais têm a missão de impulsionar o crescimento liderando equipes multifuncionais e desenvolvendo estratégias que integrem marketing, produto, vendas e tecnologia . A alta demanda por CGOs reflete a necessidade de adaptação em um mercado volátil e a pressão por inovação contínua – ou seja, growth virou pauta de diretoria. Aliás, uma pesquisa do PageGroup mostra que, em 2025, as empresas buscam profissionais capazes de aliar inovação, automação de processos e entrega de resultados com eficiência de custos . Esse é exatamente o perfil das boas equipes de growth.
No dia a dia, equipes de Growth operam como pequenos laboratórios dentro da empresa: formulam hipóteses, rodam testes A/B ou pilotos em partes do funil, analisam dados rapidamente e, se a ideia funciona, escalam para toda a base. Essa agilidade exige quebrar silos organizacionais – marketing trabalhando de mãos dadas com produto, TI, atendimento e onde mais houver impacto na jornada do cliente. É uma gestão profissional do crescimento: com processos claros (ex.: sprints de experimentos semanais), ferramentas de analytics integradas e um mindset de melhoria contínua.
Importante enfatizar que Growth Marketing não é sair “atirando para todos os lados” nem apostar só em hacks mirabolantes. Pelo contrário: é disciplina e método. Envolve entender profundamente o cliente, mapear a jornada (do awareness até o advocacy) e identificar pontos de alavancagem. Por exemplo: descobrir que melhorar a ativação inicial do produto aumenta drasticamente a retenção — um time de growth então foca ali, testa diferentes abordagens e encontra a solução ótima. Tudo baseado em dados e evidências, não em achismo.
Outra peça-chave é a intencionalidade estratégica: as iniciativas de crescimento precisam estar alinhadas ao propósito e à proposta de valor do negócio. Crescer por crescer, sem sustentar a experiência ou a reputação da marca, pode sair caro depois. Executivos experientes sabem que qualidade do crescimento importa mais do que apenas a quantidade. Por isso, a governança de Growth Marketing deve estar conectada ao planejamento estratégico da empresa, com critérios claros de sucesso e orçamento dedicado, tal como qualquer outra função vital do negócio.
Tendências de Growth Marketing: automação, IA e personalização
O panorama de 2025 traz algumas tendências e capacidades tecnológicas que turbo-carregam o Growth Marketing. As principais delas incluem Automação de Marketing, Inteligência Artificial (IA) aplicada e a hiper-personalização da experiência do cliente – todas convergindo para potencializar resultados em escala.
- Automação de marketing como padrão: Ferramentas de automação evoluíram e se tornaram acessíveis, a ponto de hoje serem praticamente obrigatórias para equipes de growth. E os benefícios são claros: estudos recentes indicam que a automação de marketing pode reduzir custos de campanhas em ~12% e elevar a produtividade de vendas em 14,5%. Além disso, 80% dos profissionais reportam conseguir mais leads, e 77% aumentam as taxas de conversão ao adotar automação em suas rotinas . Não surpreende que 91% digam que a automação os ajuda a bater metas de marketing . Em resumo, automatizar tarefas repetitivas (nutrição de leads, disparos de e-mail, segmentação de público etc.) libera as equipes para focar em estratégia e criatividade, ao mesmo tempo que os processos se tornam mais eficientes. A automação bem implementada significa que nenhum lead “esfria” por falta de follow-up e que cada oportunidade de contato é aproveitada no timing certo, em escala.
- Marketing orientado por dados e IA: “Data-driven marketing” deixou de ser tendência e virou requisito básico. Decisões embasadas em dados superam o instinto, especialmente quando as ferramentas de análise ficaram mais avançadas e a quantidade de informação explodiu. Hoje, análise preditiva e modelos de IA conseguem encontrar padrões no comportamento do cliente que um humano não perceberia. Com isso, empresas conseguem segmentar ofertas de forma muito mais assertiva e tomar decisões mais rápidas e embasadas em números . Mais do que isso, a Inteligência Artificial em si entrou de vez no arsenal do marketing. Não é exagero: 97,9% dos profissionais de marketing brasileiros afirmam estar aumentando o uso de IA em 2025 , de acordo com pesquisa da HubSpot. E não se trata de modismo passageiro – 90% já relatam impactos positivos da IA em suas rotinas . A IA está sendo aplicada para gerar conteúdos, automatizar atendimento com chatbots, fazer recomendações de produtos em tempo real e até otimizar lances de mídia. Um dado chamativo: profissionais que conseguem combinar IA e automação têm até 3 vezes mais chance de gerar leads qualificados . Ou seja, quem integra essas tecnologias sai na frente em geração de oportunidades. Vale ressaltar que o papel da IA aqui não é “substituir” o humano de marketing, mas ampliar sua capacidade – automatizando o operacional pesado, encontrando insights escondidos nos dados – para que as pessoas possam focar no que importa: estratégia, ideia e relacionamento. Como já se diz no mercado: a IA não rouba seu emprego, mas pode roubá-lo de quem não souber usá-la.
- Personalização e experiência do cliente: Os consumidores nunca estiveram tão exigentes – esperam interações relevantes e sob medida. A boa notícia é que, com dados e IA, a tão falada personalização em escala virou realidade. Hoje é possível entregar mensagens e ofertas altamente segmentadas conforme o perfil e comportamento de cada usuário, quase em tempo real. Cerca de 60% dos marketers destacam a segmentação aprimorada como o principal ganho da automação, e 72% já usam automação justamente para criar experiências personalizadas aos clientes . Essa personalização vai desde recomendações de produtos “quem comprou X também comprou Y”, até jornadas automatizadas de conteúdo que se adaptam conforme a interação do cliente. O resultado? Mais engajamento e maior satisfação do cliente, o que se traduz em maior valor por cliente e menor churn. Vale lembrar que personalizar não é apenas usar o primeiro nome do cliente num e-mail – é contextualizar a oferta ao momento certo da jornada dele. Quando bem feito, o marketing deixa de ser interrupção indesejada e passa a ser percebido como um serviço de consultoria, ajudando o cliente a encontrar o que realmente precisa. E isso, claro, impulsiona o crescimento orgânico via fidelização e boca a boca positivo.
- Conteúdos interativos e novas formas de engajamento: Outra tendência de mercado é o uso de experiências interativas para engajar e captar dados do público. Quiz, enquetes, realidade aumentada, demos virtuais – tudo isso cria interações mais envolventes e memoráveis com a marca. Além de chamar atenção num mundo de excesso de informação, esses formatos capturam insights valiosos sobre preferências do usuário. As marcas que apostam em experiências digitais imersivas saem ganhando: elas têm uma vantagem significativa por serem mais propensas a gerar altas taxas de interação e fidelizar clientes pela inovação oferecida . Em suma, divertir e engajar o público gera valor de longo prazo. Cada vez mais, marketing é experiência – e a experiência do usuário feliz virou um diferencial competitivo (inclusive impactando diretamente indicadores como SEO e CLV).
- Integração de canais e dados: Por fim, vale mencionar que o Growth Marketing exige uma visão omnicanal integrada. As estratégias vencedoras conectam todos os pontos de contato – mídia paga, orgânica, e-mail, redes sociais, website, loja física, atendimento – de forma coerente, compartilhando dados entre eles. Isso garante que nenhuma informação seja perdida e que o cliente tenha uma jornada fluida. Por exemplo, integrar dados do CRM com as campanhas de mídia e com a automação de e-mail permite ações muito mais assertivas (como segmentações dinâmicas, retargeting inteligente, etc.). Em 2025, com a LGPD em vigor e a queda dos cookies de terceiros, quem souber aproveitar sua própria base de dados para criar relacionamento personalizado estará à frente. Ferramentas de Customer Data Platform (CDP) e analytics avançado estão se popularizando e se tornando essenciais para orquestrar esse jogo omnicanal. Growth Marketing de sucesso abraça a tecnologia, mas sem perder de vista o lado humano – a mensagem certa, para a pessoa certa, no canal certo e no momento certo.
Conclusão: preparando-se para crescer de forma exponencial
O Growth Marketing deixou de ser território apenas de startups do Vale do Silício e se tornou uma filosofia adotada por empresas de todos os portes que desejam escalar seus negócios de forma inteligente. Profissionais e líderes que incorporam essa mentalidade estão colhendo os frutos: crescimento mais rápido, previsível e rentável, construído em cima de relacionamento duradouro com o cliente e eficiência operacional.
Para quem está começando nessa jornada, a dica é clara: comece pelos dados e pelo cliente. Entenda profundamente quem é seu público, trace métricas que realmente importam e estabeleça um processo disciplinado de experimentação. Busque pequenas vitórias com testes rápidos – seja uma nova campanha de aquisição, uma mudança no onboarding do produto ou uma segmentação diferente de e-mail – e amplifique o que der resultado. Crie na sua equipe uma cultura onde fracasso em testes não é sinônimo de culpa, mas de aprendizado. Cada experimento ensina algo sobre seu mercado.
Lembre-se também de que você não precisa fazer isso sozinho. Já existem metodologias consolidadas e parceiros especializados para apoiar nesse caminho. Por exemplo, a metodologia ExO (Exponential Organizations) traz princípios de crescimento exponencial aplicáveis ao marketing, combinando práticas de inovação com uso intensivo de dados e tecnologia. Iniciativas como a OpenExO atuam como aceleradoras de crescimento, unindo estratégias de geração de tráfego, automação inteligente e analytics avançado para impulsionar resultados. De forma sutil mas eficaz, integrar esse tipo de abordagem pode ser o pulo do gato que faltava para levar sua estratégia de marketing a um novo patamar.
Este foi o primeiro de uma série de posts onde vou explorar as tendências e práticas de Growth Marketing. Nos próximos artigos, entraremos em mais detalhes sobre como implementar essas estratégias na prática – desde a montagem de um funil de growth até casos de sucesso inspiradores. Vamos juntos nessa jornada rumo ao crescimento exponencial! 🚀
E você, como está preparando o crescimento da sua empresa para os próximos anos? Quais dessas iniciativas já fazem parte do seu plano de marketing? Deixe seu comentário ou me mande uma mensagem – vamos conversar sobre como aplicar tudo isso no seu negócio e crescer mais! 😉
Fontes:
- Company – Tendências do Marketing Digital em 2024 (Growth Marketing)
- CMLO&CO – Tendências de Growth Marketing no Brasil em 2025
- Cart.com – Beyond ROAS: The growth KPIs modern marketers should be optimizing for
- Harvard Business Review – The Value of Keeping the Right Customers
- Thunderbit – Automação de Marketing em 2025: 30 Estatísticas e Insights
- PageGroup/Mundo do Marketing – Cargos de Marketing em alta para 2025 (Chief Growth Officer)
- LinkedIn (Caio Henrique) – Por que dominar IA e Automação é urgente?
- Rakky Curvelo (HubSpot) via Mundo do Marketing – O Marketing na era IA (Marketing no Brasil 2025)
